não é mais você.
tem exatamente 33 minutos que a tela tá no mesmo lugar. procuro palavras pra dizer, mas é como se todas as vezes você aparecesse me deixando sem fala. como todas as vezes. eu faço um filme na minha cabeça, você vem e muda o roteiro. mas dessa vez é sobre mim. a culpa que eu sinto por não me sentir suficiente pra você. porque poderia ser qualquer uma. mas sou eu. e você não sabe lidar com isso. porque eu não preciso que você me elogie pra eu me sentir bem. não preciso rir das suas piadas pra demonstrar interesse ou usar um decote pra te deixar excitado. eu não sou só a garota que você quer pegar, e você ainda não sabe, porque nunca deixou que passasse disso. as músicas que você dedica pra alguém que inventa estar apaixonado… esse não é você. e você sabe que, você, quem conhece sou eu. você finge não se importa porque tem medo de que cada tiro seja na direção errada. mas quanto mais você busca por alguma, mais erra o alvo. você gosta de fingir que não enxerga. agora vou jogar o seu jogo. só não esquece que nessa guerra seu maior adversário é você.
Larissa f.
“Não dá pra negar que a gente continua complexo. Opostos, ou até pior, eu diria. Se tivesse alguma coisa pior que ser oposto de alguém, Stubb, isso seria exatamente o que a gente é. Você finge que não vê e age como se não ligasse pra esse nosso lado ruim. Que ocupa até a parte do nosso lado bom. Mas você explode, perde a cabeça, não se aguenta. Reclama da minha teimosia, do meu tom de voz. Porque você ainda me pira e me desmonta inteira. Me faz por a armadura de menina durona, e com um sopro derruba ela. Reclama quando eu aponto os seus erros, mas você se esquece que é feito deles. E eu preciso apontar pra te lembrar que, odeio todos os erros que fazem parte de você. E ainda não aprendi a te odiar e a me virar sozinha. Só aprendi a me virar com você, porque o teu trabalho, no fundo, é esse. Me virar. Me tirar de mim, pra me por em você. Qual é, Stubb. Não dá pra esquecer ou deixar de lado certas coisas. Do tipo: não importa quantos erros a gente comete, a gente sempre se procura. E se procura porque não sabe não se procurar. Se procura porque tudo que faltava em mim, tu tem em você. E vice versa. E quando você diz que o dia só tá bom, porque ganhou um bom dia meu. Ou pior, quando tu entende meu silêncio. E reclama por não estar ouvindo minha voz “enjoada e chata”. Odeio essa coisa idiota que você tem de saber tudo sobre mim. E é tudo mesmo. Por scracho pra tocar no carro quando a gente não tá de boa, e ainda cantar baixinho “e agora vem dizer, morena…”. A gente podia se odiar, se não se gostasse tanto. Ainda sei fugir dos teus braços quando tu me envolve num abraço de urso, e me pede pra não sair dali de jeito nenhum. Você e suas metáforas, né. “É duro quando você não me responde, eu tenho que arrumar algo pra fazer, quando tu decide não ser mais minha rotina.” Ó, odeio quando tu usa teu bom uso das palavras. E quando eu me canso disso tudo, e te deixo sozinho por uma noite, e você diz que a lua só tá mais bonita porque sempre que eu te viro as costas, eu te deixo virar poeta. E você vive dizendo que queria saber usar as palavras tão bem como eu. Mas que você pensa demais em mim, e acaba saindo só coisa problemática e neurotica. Como eu. Sabe qual é, Stubb? Tu não quer alguém que escute seus esporros e fique calado, você quer a Sra. teimosia que não deixa nada pra depois. E eu não quero alguém que se satisfaça com qualquer coisa que eu fale. O que eu quero é aquilo que me desafia, me transborda e me deixa… Fora de mim. O que, no caso, é igual a… Você. A fórmula matemática é: desafio + idiotice (chatice dupla²) = Stubb. A gente vai ser sempre essa bagunça sem arrumação, ordem e organização. A gente vai ser sempre tudo que todo mundo diz que não é bom, e que é pra manter distância. O problema é que a gente sempre vai ser. Consecutivamente, a gente vai sempre existir. Mesmo com poréns, problemas matemáticos, oposição e intrigas. Isso é a gente, e a gente não abre mão. Ou até abre, mas depois se procura de novo. Porque problema assim, é difícil de encontrar. E é impossível de se resolver. Mas você é insistente, e eu sou teimosa. O que dá em… Os dois tentando sempre resolver o que não tem resultado, e só se atrapalhando mais. Mas taí, a gente é a nossa solução. O “porém” nisso tudo, é que nós dois somos problema. A gente não dá certo porque é a gente. Mas quem disse que nós dois conseguimos abrir mão dessa coisa errada? O que a gente sente não é errado, mas você bota pra fora gritando, e eu boto pra fora berrando. Esse texto é só pra mais um berro meu. Só pra dizer que você continua sendo a pessoa mais errada e idiota do mundo. Que você continua sendo o meu estrago. Mas é pra dizer também, que eu continuo sem saber abrir mão disso. E que, eu sei que a gente acaba se procurando no final das contas. É por isso que o nosso errado dá certo. Dá certo uma vez, pra depois dar errado de novo. Mas fazer o que, Stubb? Isso é a gente. E isso ninguém muda. Nem eu mudo, muito menos você. Porque a gente não tem coragem de dar certo. A gente não tem coragem de ser igual. Odeio ser o teu oposto, odeio que você seja o meu. Mas é pra esse oposto que a gente volta. Querendo ou não. A gente volta. Porque somos dois idiotas. Mas é claro que você é mais.”
~ robin and stubb.